“Ao receber o convite para prefaciar este livro de Thiago de Góes, confesso que fiquei surpresa e muito feliz. Afinal de contas, essa era uma possibilidade que não me passaria pela cabeça, o privilégio de ser eu a pessoa escolhida pelo autor para apresentar sua obra ao leitor.
    
Depois de ler a obra, já em meio à madrugada, recordei com saudades um fato curioso o qual poucas pessoas têm conhecimento. Aos sete anos, eu era uma criança diferente, meio que superdotada, aprendia mais rápido do que as outras crianças, mesmo sendo cega.
 
Estudava em uma escola pública, na segunda série do primeiro grau. Estávamos no início do segundo semestre e havia um concurso na escola, de interpretação de textos. A criança teria que relatar com suas palavras o que entendera a respeito de um texto cujo conteúdo era a descoberta do Brasil.
 
Resolvi por incentivo da minha professora, que deveria participar desse concurso. Eu escrevi em Braille a interpretação de meu texto e a professora itinerante transcreveu em tinta palavra por palavra o que eu havia escrito em braille.
 
Fora enorme a minha surpresa e de meus pais, ao saber que havia vencido o concurso, competindo inclusive com crianças da quarta série. Em uma solenidade, recebi um diploma escrito em Braille e meus pais um exemplar do mesmo em tinta.
 
Ao contrário do que muitos imaginam, o primeiro prêmio que recebi não foi relativo à carreira artística e sim a um diploma literário que muito me orgulha até hoje e está pendurado em um quadro na parede da casa de meus pais.
 
Desde aquela ocasião, ler e escrever tornaram-se indispensáveis para mim, da mesma forma que comer ou dormir. Necessidades vitais. Quando não estou lendo algo ou escrevendo, fico triste, como pássaro na gaiola que perde o tom do canto e se cala, não mais encantando aqueles que o ouvem.
 
A obra de Thiago de Góes tem ingredientes que fazem o leitor transportar-se rapidamente do sonho ao real, misturando fantasia e erotismo em contos leves e criativos, embalados por vozes do cenário artístico nacional, canções especialmente escolhidas como fonte de inspiração, assim como cantoras de diferentes estilos, mas que possuem algo em comum, o romantismo entoado em letras que falam de amor, abandono, prazer, saudade, tristezas e alegrias.
 
Muitas surpresas reservadas ao leitor de tão gostosa obra, em contos românticos, que nos fazem ao mesmo tempo relaxar, e tencionar o corpo, à medida que a narrativa de cada conto vai colorindo nossa imaginação e tornando eterno o momento da leitura, esse instante tão sublime que só podem provocar aqueles cujo dom é dado por Deus, o de brincar com as palavras, fazê-las bailar e aterrissar no papel, despertando o que há de melhor em nós.
 
Parabéns Thiago de Góes, por ser alguém tão especial, que simplesmente dá asas a imaginação, tornando melhores aqueles que têm a oportunidade de ler suas obras. Continue assim, versejando, criando, dominando as palavras e escravizando completamente aqueles que têm a sorte de, ávidos por leitura, beberem da porção mágica de tudo aquilo que você puder escrever.
 
E assim, num brinde ao mesmo tempo doce, amargo, suave e rascante, deixo agora o sabor mágico de seus contos, de sua obra aos leitores.
 
Um grande abraço
 
Katia
 
Rio de Janeiro, 10 de Janeiro de 2007